OLHEM O FUMÔMETRO!!

 

 

 

Dois anos sem fumar. Uma data extraordinária para mim, tabagista de alto risco, grande fumante. Tão apaixonado pelo cigarro que nem mesmo um pneumotórax antes dos 30 anos, com direito a colocação de dreno no pulmão sem anestesia, foi capaz de me afastar das tragadas.

 

Olho para trás e me espanto com a conquista. Afinal, esta era a quarta ou quinta tentativa efetiva, sem contar as pequenas pausas. Da última vez, tinha conseguido me manter limpo por sete meses. Aquela era minha grande meta no início do blog: quebrar o recorde de 7 meses. Hoje, superei em 3 vezes essa contagem.

 

Dediquei os últimos dias a buscar razões para ter chegado tão longe desta vez. E não me ocorre nenhuma além dos BCTs. É fantástico como a presença amiga, a confidência, o apoio nas horas difíceis, vindo de pessoas às quais sequer conhecemos pelo verdadeiro nome (não conheço o rosto de quase ninguém...) é capaz de nos manter firmes.

 

A experiência dos BCTs tem um marco histórico: o Tabagista Anônimo. É indiscutível que Tabac representou um divisor de águas nesse tipo de iniciativa na internet. Antes dele, os registros de fumantes se davam sem a intenção determinada de expor a luta pessoal ao olhar de milhares de pessoas. Tínhamos tentativas esparsas, inseridas em blogs de assuntos gerais. O Tabagista veio com uma proposta definida no subtitúlo: “Uma tentativa pública de parar de fumar.”

 

O Cigarro e Silêncio surgiu de minhas visitas ao Tabagista. A Tabac, meu tributo, reconhecimento e, principalmente agradecimento. Na seqüencia, ao longo desses dois anos, seguiram-se as dezenas de tentativa de fumantes que, com o tempo, tornaram-se amigos: Ribola, Bin, Leumas, Nessa... e muitos outros que a memória não alcança agora.

 

O selo BCT tem, hoje, uma vida independente. O grupo é pequeno, restrito, quase uma sala de visitas aberta aos amigos cansados de fumar. Mas é um grupo que tende a se manter vivo, a manter o selo no ar.

 

A todos os BCTs atualmente “operacionais”, meu sincero agradecimento. Ninguém além de vocês pode reivindicar o mérito desses dois anos. Não foram poucos os momentos em que me veio a nostalgia do cigarro. E, em cada um, uma pergunta saltava na consciência: “como decepcionar todos os amigos que enxergam no Cigarro e Silêncio um exemplo de que é possível manter o cigarro fora de nossas vidas?”

 

Em respeito ao BCT, nunca tive coragem de desafiar o cigarro. A responsabilidade pela tristeza que eu veria nos olhos de Viviane, Freja, Cláudio, do próprio Tabac, era grande demais. Tão grande que eu não precisaria sequer ver os olhos de cada um.

 

Essa conquista é de todos nós. Mas é principalmente de vocês.

O limite do absurdo

 

 

Lógica de fumante tem tudo, menos lógica. Uma data importantíssima para mim se aproxima: os dois anos completos sem fumar. Logo ali, no dia 26.

 

Estou planejando escrever um post falando da importância dos BCTs nessa conquista. Se tiver tempo, escrevo. Mas adivinhem o que me veio à cabeça?

 

“Esse fumômetro está enorme. E quando mais durar, pior para voltar a fumar. A responsabilidade aumenta, como ter coragem de zerar um fumômetro desse porte diante dos BCTs?”

 

E segue a lógica primorosa:

 

“Já está difícil. Entrando no terceiro ano, ficaria pior ainda. Se é para sofrer, que seja agora. Eu não seria o primeiro. Freja foi mais longe, três anos, e voltou.”

 

E a conclusão extraordinária:

 

“Esse fumômetro tornou-se minha prisão. Um monstro que vai crescendo a cada dia e me afastando cada vez mais do prazer de uma tragada, irreversivelmente.”

 

Demais, não? Durante 28 anos fui dependente químico. E o fumômetro se tornou minha prisão?



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