
Gosto de tomar decisões quando me dá na telha. Desconfio muito dessas resoluções com datas memoráveis, como a passagem de ano ou o natal. As melhores intenções geralmente vão para o ralo junto com as dezenas de promessas, as sementes de romã, os amuletos da sorte, as juras de que “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Conversa. As tais resoluções não resistem ao primeiro mês. Uns quinze, vinte dias depois, nos lembramos vagamente da promessa na correria do dia-a-dia e pensamos: “Quem sabe no aniversário?”
Por essa razão é que fujo de datas representativas. Parei de beber há 11 anos, no dia 30 de março de 1995. Parei de fumar há quase 2, no dia 25 de janeiro de 2005. E resolvi iniciar um regime em 26 de dezembro. Em tempo, para quem não me conhece, a data não tem um valor muito significativo para mim. A única motivação adicional talvez tenha sido a ressaca da ceia.
Meu primeiro regime! Um acerto de contas com o esforço de parar de fumar. Nesses 23 meses, saí de meus 75kg para... 85! Em 1,80 de altura, é muito. Já estava incomodando.
Pois bem, cá estou eu no quinto dia do primeiro regime de minha vida, aliado à retomada das caminhadas. A balança aponta para uma perda de 2,5 kg. Mas meu organismo me dá muito mais respostas. Que diferença de disposição, que sensação de bem-estar! Durmo melhor, trabalho melhor, até meu humor — tradicionalmente espinhento — parece que tomou outros contornos.
Tudo isso em troca de uma caminhada diária e um pouco menos de açúcar, gorduras, óleos, porcarias que a gente belisca no dia-a-dia.
É aí que entram os quadrinhos que Freja postou no Dilema. Se os excessos alimentares nos fazem esse mal todo — que só percebemos quando nos cuidamos —, que dizer, então, do cigarro? Faço minhas contas e sempre me impressiono com um número em especial. Vejam que acabei de completar 14.000 cigarros não fumados. Não consigo me imaginar fumando 14.000 cigarros, alguém consegue? E pensar que, nos meus 28 anos de fumante, traguei mais de 400.000 “bastões da morte”, como um dos amigos bcts costumava dizer.
Tudo isso para concordar com o gran finale do quadrinho de Freja: tudo é ruim no tabagismo. Mas o pior de tudo é não parar.
Ah, vou informando sobre o regime, ok?