Um grito de desabafo

 

Nâo é possível...

 

Que nossa consciência tenha sido anestesiada;

Que nossos valores tenham se perdido totalmente;

Que não nos indignemos mais com o cinismo político;

Que tenhamos nos acostumado com a desonestidade.

 

Não é possível...

 

Que o elogio da ignorância valha mais do que o esforço dos que estudaram;

Que dólares em cuecas se tornem coisa normal aos olhos de nossos filhos;

Que o brasileiro tenha se rebaixado a vender seu voto por esmola;

Que tenhamos criado no país uma legião de dependentes esformeados que trocam seu voto por um vale-esmola;

 

O que aconteceu com nosso sentido de moral? Nosso país foi tomado por burocratas incompetentes, ignorantes, mal intencionados, cães de guarda da intolerância e do obscurantismo. E achamos tudo isso normal, e nos dispomos a eleger o homem que dará o seguinte exemplo para nossos filhos: "não estude, isso toma tempo e dá pouco resultado. Escolha um bom tesoureiro de campanha e construa um partido que abana o rabo para as mais baixas negociatas. Depois, compre quem aparecer. Determine o preço olhando no olho, alguns são também raposas de outros covis. Mas muitos vão vender o voto barato, pode confiar. Mande imprimir à vontade os vales-esmola. Funcionam que é uma beleza."

 

Tenho nojo de um contexto político em que o presidente ri diariamente da nossa cara ao negar que sabe a origem do dinheiro. Qual dinheiro? Já nem sei mais, tão tantas malas, cuecas, dossiês, bicheiros que não sei se estamos falando de um partido político ou da Cosa Nostra.

 

Será possível que os que votam pela permanência dessa gente não percebem que estão entregando o país por mais quatro anos? Quantas malas, quantos quilos de dinheiro ilegal, surrupiado dos cofres públicos, ainda serão necessários para que tomemos o tapa na cara que nos fará acordar envergonhados de nós  mesmos?

 

E o que dóis mais é saber que eles (Dirceu, Delúbio, Silvinho LandRover, o churrasqueiro, o segurança, todos os "meninos" do presidente) vão rir da nossa cara no final.

 

Por quanto tempo ainda nos comportaremos como zumbis à mercê dos vampiros da ética?

 

Desculpem, mas sinto que devo externar minha opinião política. É meu dever cívico. Desculpe, Cláudio, mas não acho que sejam todos farinha do mesmo saco. Até porque eles já roubaram o saco, meu amigo.  

 

Questão de interpretação! Pelos comentários de Cláudio e Viviane, temo ter deixado a impressão de que, uma vez que eu não precisava mais do blog, não via necessidade de continuar a atualizá-lo. A questão é bem diferente, meus amigos. Vejamos:

  1. Não descartei o blog assim que parei de fumar. Muito pelo contrário. Não tenho conhecimento de outro blog tão duradouro quanto o Cigarro e Silêncio. Durou tanto que estourou a capacidade de memória (16 gigas), e não consigo entrar nele nem para deixar uma mensagem direcionando para cá. Sim, temos o Tabagista, mas não o considero (infelizmente) um blog permanente. Nosso amigo Tabac costuma sofrer de grandes lapsos de frequência;
  2. O fumômetro não me serviu apenas durante os primeiros meses. Ainda hoje é importante. Demais! Se, numa dessas pescarias sossegadas de beira de rio, a tentação de pegar um palheiro se tornar muito grande, vou fazer as contas e tentar atualizar mentalmente o fumômetro. Tenho a certeza de que vai pesar.
  3. Sim, sei o quanto o fumômetro do CS é importante para quem está nos primeiros dias de abstinência. É um grande estímulo, como foi, para mim, o fumômetro do Tabagista.

Não é, portanto, uma postura utilitária e interesseira de minha parte. Estou com a consciência muito tranqüila a esse respeito. Além disso, Tabac me convenceu de que esses nossos espaços virtuais devem funcionar a nossos favor, e não como forma de pressão. Se for assim, deixam de contribuir com nossa recuperação e se tornam um fardo. Aliás, me surpreendo com a forma tranqüila como ele lida com isso, deixando o Tabagista parado durante meses.

A questão fundamental, meus amigos, é que já faz muito tempo que não fumo. Vinte meses! E não há cristão que encontre assunto para falar de cigarro depois de vinte meses. A não ser que ele seja um candidado a beato ou espírito iluminado e tenha assumido o blog como tarefa cristã, o que não é o meu caso. Sou um ateu saudavelmente liberto desse tipo de bengala existencial.

Concluindo - e espero que bem compreendido, desta vez -, penso que os mais jovens devem assumir essa tarefa com muito mais assiduidade do que os veteranos. Primeiro, porque eles têm a angústia recente do vício e podem transmitir experiências com muito maior intensidade; segundo, porque precisam muito mais do que nós. Isso ninguém pode negar e nada tem a ver com utilitarismo.

Por que sumimos?

 

Tenho recebido algumas carinhosas broncas de blogueiros amigos cobrando-me uma assiduidade maior no Cigarro e Silêncio II. Então me pus a pensar em um velho tema, que já havia sido levantado por Tabac há meses e meses: porque vamos escasseando nossa presença nos blogs?

 

Não me lembro bem dos argumentos de Tabac, mas certamente giravam sobre a falta de assunto que vai assaltando um ex-fumante depois que ele ultrapasso aquela linha perigosa dos 4 ou 5 meses de abstinência da nicotina.

 

Se não me engano, na época, eu defendi uma tese ligeiramente diferente. Na minha opinião, quanto mais tempo passamos longe do cigarro, mais precisamos nos lembrar do perigo que ele representa, e o blog é a vacina ideal para isso.

 

O tempo passou e não chegamos a uma conclusão. Nem sei se era esse o caso. Mas o fato é que me sinto, hoje, tão distante do cigarro que já não tenho as angústias que me levavam a postar com maior frequência.

 

Não é uma desculpa, enfim. Mas preciso registrar: o cigarro, no momento atual, deixou de ocupar meus pensamentos. Nunca estive tão distante dele. O que, talvez, signifique que estou perigosamente perto, flertando com o perigo. Será?

 

Deixo uma pergunta: se não vou falar de tabagismo, vou falar de quê em um blog BCT?

 

Então, talvez, estejamos chegando à uma nova constatação: a de que a manutenção do ritmo dos blogs é tarefa dos mais jovens, dos que estão chegando agora. E essa onda se renovaria constantemente.

 

O que vocês acham? 

Eu também quero mostrar!

 

 

Cláudio me pôs a brisa marinha nos olhos com a foto de sua pescaria em Bertioga. O mais perto que já pesquei de lá foi em São Sebastião, no litoral norte.

 

Na maior parte do ano, pesco mesmo é em rios. Afinal, moro no Centro-Oeste, não há como fugir. Mas cá entre nós... este nosso Brasil tem maravilhas por dentro e por fora.

 

A foto mostra um grupo de amigos num braço do Rio das Mortes, Mato Grosso, em julho deste ano. Estávamos numa boa manhã de pesca de tucunarés. Aí, deixei a vara de lado e tirei um tempinho para o enquadramento da turma.

 

Em tempo, estávamos em uma das milhares de lagoas. O Rio das Mortes, em alguns trechos, é imenso, a perder de vista. Água doce que não acaba mais. Maravilhas de um país que precisa aprender a se gostar.

Estatísticas: 20 pessoas, das quais 3 fumantes. Adivinhem de que lado eu estava? Hehehe... 

Esses sumiços...

 

 

Voltei. Voltei? Já nem sem mais, tantas são as reviravoltas dos últimos dias. O fato é que tem me sobrado pouco tempo para cuidar do blog. Tenho viajado muito e me envolvido em projetos novos, o que me tira o foco. Mas, enfim, quem é blogueiro sabe que estamos sujeitos a essas sumidas passageiras.

 

Com relação ao cigarro, nenhuma novidade. A não ser o fato de que, há cerca de três semanas, aspirei a fumaça de um companheiro de pescaria e me bateu aquela saudade gostosa, como só a saudade do cigarro sabe ser. Isso depois de 1 ano e 8 meses limpo!

 

Nâo tenho dúvidas, continuo tão vulnerável à sedução do cigarro quanto antes. E acho que nunca vou me livrar totalmente dessa ameaça.

 

Pausa para falar de um amigo:

 

LEUMAS!!!

 

Sim, recebi no CS 1 um post de nosso querido amigo há tanto tempo fora do circuito. Alguém mais tem notícias dele?

 

E quanto ao resto? Bom, vou zapear agora pelos blogs e ver se alguém anda mais acordado do que eu, o que não é difícil.



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